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sexta-feira, 1 de junho de 2012
CMDCA - RIO Tópico: CMDCA - RIO
28/05/2012
Época Online - SP Editoria: Pg: Sociedade 10:16:00
A imprensa que estupra - parte 1
Eliane Brum
A repórter que condenou e humilhou um suspeito não é exceção. O episódio mostra a
conivência histórica entre parte da imprensa, da polícia e do sistema penitenciário na
violação dos direitos de presos pobres (ou presos e pobres)
, jornalista, escritora e documentarista. Ganhou mais de 40 prêmios nacionais e
internacionais de reportagem. É autora de um romance - Uma Duas (LeYa) - e de três
livros de reportagem: Coluna Prestes – O Avesso da Lenda (Artes e Ofícios), A Vida Que
Ninguém Vê (Arquipélago Editorial, Prêmio Jabuti 2007) e O Olho da Rua (Globo). E
codiretora de dois documentários: Uma História Severina e Gretchen Filme Estrada.
elianebrum@uol.com.br
@brumelianebrum (Foto: ÉPOCA)
– Não estuprou, mas queria estuprar!
A frase foi dita pela repórter Mirella Cunha, no programa “Brasil Urgente”, da Band da
Bahia, a um jovem de 18 anos, preso em uma delegacia desde 31 de março. Algemado,
ele diz que arrancou o celular e a corrente de ouro de uma mulher, mas repete que não a
estuprou. Na reportagem, a jornalista o chama de “estuprador”. Pergunta se a marca que
ele tem no rosto é resultado de um tiro. Ele responde que foi espancado. A repórter não
estranha que um homem detido, sob responsabilidade do Estado, tenha marcas de
tortura. O suspeito diz que fará todos os exames necessários para que seja provado que
ele não estuprou a mulher. Ele não sabe o nome do exame, não sabe o que é “corpo de
delito” e pronuncia uma palavra inexistente. Ela debocha e repete a pergunta para
expô-lo ao ridículo. Ele então pronuncia uma palavra semelhante à “próstata”. A jornalista
o faz repetir várias vezes o nome do exame para que ela e os telespectadores possam
rir. Depois, pergunta se ele gosta de fazer exame de próstata. No estúdio, o apresentador
Uziel Bueno diz: “Tá chorando? Você não fez o exame de próstata. Senão, meu irmão,
você ia chorar. É metido a estuprador, é? É metido a estuprador? É o seguinte. Nas
horas vagas eu sou urologista...”.
A chamada da reportagem era: “Chororô na delegacia: acusado de estupro alega
inocência”. A certa altura, a jornalista olha para a câmera e diz ao apresentador, rindo:
– Depois, Uziel, você não quer que o vídeo vá pro YouTube...
Ela tinha razão: o vídeo foi postado no YouTube. A versão mais curta dele já foi vista por
quase 1 milhão de pessoas. Aqui neste link, se quiser, você pode assistir a uma versão
um pouco mais longa, de quase cinco minutos.
O vídeo foi divulgado nas redes sociais, na semana passada, com grande repercussão e
forte pressão por providências. Um grupo de jornalistas fez uma carta aberta: “A
reportagem de Mirella Cunha, no interior da 12ª Delegacia de Itapoã, e os comentários
do apresentador Uziel Bueno, no estúdio da Band, afrontam o artigo 5º da Constituição
Federal: ‘É assegurado aos presos o respeito à integridade física e moral’. E não faz mal
reafirmar que a República Federativa do Brasil tem entre seus fundamentos ‘a dignidade
da pessoa humana’. Apesar do clima de barbárie num conjunto apodrecido de
programas policialescos, na Bahia e no Brasil, os direitos constitucionais são aplicáveis,
inclusive aos suspeitos de crimes tipificados pelo Código Penal”.
E, mais adiante: “É importante ressaltar que a responsabilidade dos abusos não é apenas
dos repórteres, mas também dos produtores do programa, da direção da emissora e de
seus anunciantes – e nesta última categoria se encontra o governo do Estado que, desta
maneira, se torna patrocinador das arbitrariedades praticadas nestes programas”. Em
23/5, o Ministério Público Federal abriu representação contra a jornalista. Em nota, a
Band afirmou que tomaria “todas as medidas disciplinares necessárias” e que “a postura
da repórter fere o código de ética do jornalismo da emissora”.
Em visita ao suspeito, a Defensoria Pública assim o descreveu: “É réu primário, vive nas
ruas desde criança, apesar de ter residência em Cajazeiras 11. Tem seis irmãos, é
analfabeto e já vendeu doces e balas dentro de ônibus. Ao ser questionado sobre como
se sentiu durante a entrevista, ele diz: ‘Eu me senti humilhado, porque ela ficou rindo de
mim o tempo todo. Eu chorei porque sabia que eu iria pagar por algo que não fiz, e que
minha mãe, meus parentes e amigos iriam me ver na TV como estuprador, e eu sou
inocente’”.
A reportagem é um exemplo de mau jornalismo do começo ao fim. E, para completar,
ainda presta um desserviço à saúde pública, ao reforçar todos os clichês e preconceitos
relacionados ao exame de próstata. Por causa dessa mistura de ignorância e machismo,
homens demais morrem de câncer de próstata no país. Os abusos cometidos pela
repórter e pelo apresentador foram tantos, porém, que esse prejuízo passou quase
despercebido.
Por que vale a pena refletir sobre esse episódio? Primeiro, porque ele está longe de ser
uma exceção. Se fosse, estaríamos vivendo em um país muito melhor. O microfone (e a
caneta) tem sido usado no Brasil, assim como em outros países, também para cometer
violências. Nestas imagens, se observarmos bem, a repórter manipula o microfone como
uma arma. (Outras interpretações, vou reservar para os psicanalistas.)
Muitos passam mal ao assistir ao vídeo porque o que se assiste é uma violência sem
contato físico, sem marcas visíveis. Uma violação cometida com o microfone e uma
câmera, exibida para milhões de pessoas, contra um homem algemado (e, portanto,
indefeso), sob a responsabilidade do Estado, que, em vez de garantir os direitos do
suspeito, o expõe à violência.
O suspeito é humilhado por algo que deveria ser uma vergonha para o Estado e para
todos nós: a péssima qualidade da educação. E, no caso dele, o analfabetismo de um
jovem de 18 anos no ano de 2012, na “sexta economia do mundo”. Ao afirmar que o
rapaz era um estuprador, a repórter colocou em risco também a vida do suspeito, já que
todos sabem – e muitos toleram – o que acontece dentro das cadeias e prisões com
quem comete um estupro.
A repórter e o apresentador, porém, são apenas a parte mais visível da rede de
violações. Estão longe de serem os únicos responsáveis. Para que esse caso se torne
emblemático e para que a Justiça valha é preciso que todas as responsabilidades sejam
apuradas, a começar pela do Estado. Tanto em permitir que alguém sob sua custódia
fosse exibido dessa maneira, e possivelmente contra a sua vontade, numa rede de TV,
quanto nas marcas de tortura no seu rosto. As marcas e o relato de espancamento, aliás,
seriam objeto da apuração de qualquer bom jornalista. No caso, não suscitaram
nenhuma surpresa.
Saúde públicaE, para completar, ainda presta um desserviço à , ao reforçar todos os clichês e preconceitos
relacionados ao exame de próstata.
segunda-feira, 28 de maio de 2012
quarta-feira, 7 de março de 2012
Pedido de Ajuda..
O CIACOM – Centro Integrado de Ações Comunitárias é uma Organização Não Governamental, sem fins lucrativos. Legalmente constituída, com CNPJ Nº 02.750.284/0001-69 em 20 de agosto de 1998, é uma Entidade de Utilidade Pública Municipal, RJ, sobre o Decreto nº 24.547, de 20 de agosto de 2004, inscrito no Conselho Municipal de Assistência Social. 08/007468/1999. E no Conselho Municipal da criança e do adolescente Nº. 02/281/494 Del. Nº 152/00
O CIACOM desenvolve uma série de atividades e projetos de cunho educacional, sociocultural e esportivo, dentre as quais se destaca a ministração de aulas de: informática, reforço escolar, capoeira, jiu-jitsu, karatê e oficinas de percussão, dança-afro além de realizar mensalmente reuniões e palestras com os mais variados temas contamos hoje com 260 crianças e adolescentes com faixa etária entre 07 e 14 anos, e 96 jovens de 17 a 21 anos nossa meta é de alcançar um total de 1200 atendimentos com um trabalho voltada para a inclusão e para a busca sistematicamente do acesso aos nossos projetos e a politicas públicas para que tenham qualidade de vida, ou seja, cidadania plena.
O nosso trabalho visa em primeiro plano, estreitar as relações de crianças, adolescentes e jovens com comunidade a sua volta, permitindo um bom convívio social e cultural, atuando principalmente no resgate de jovens, adolescentes que vivem em famílias em situação de na vulnerabilidade, No combate as drogas, bebidas alcóolicas e gravidez precoce tendo como meta melhorar as condições de vida e o desenvolvimento humano e a diminuição da exclusão social.
Neste sentido, para manter e ampliar as nossas atividades a fim de atender um número maior de crianças, jovens e adolescentes e para que nossas ações sejam concretizadas de maneira eficiente, solicitamos mui respeitosamente, a possibilidade uma parceria com esta conceituada empresa no financiamento de materiais de construção para reforma de nosso espaço de convivência, Espaço: João Cândido Felisberto, localizado na Rua Sacadura Cabral nº 287, Gamboa Rio de Janeiro, RJ. Neste sentido, para manter e ampliar as nossas atividades a fim de atender um número maior de crianças, jovens e adolescentes e para que nossas ações sejam concretizadas de maneira eficiente, solicitamos mui respeitosamente, a sua contribuição através da doação da quantia de R$15,00 que irão ser investidos na realização de nossas atividades que são realizadas no nosso espaço de convivência, Espaço: João Cândido Felisberto, localizado na Rua Sacadura Cabral nº 287, Gamboa Rio de Janeiro, RJ e na Praça Coronel Assunção (antiga praça da harmonia) localizada também no bairro da Gamboa.
Para ajudar: depósito ou transferência bancária para:
Banco: Itaú - agência: 1246 - conta corrente: 43865 –7
Favorecido: centro integrado de ações comunitárias.
Contatos: ongciacom@gmail.com
Atenciosamente.
Evaldo de Jesus
Presidente.
"Quando sonhamos sozinhos, é apenas um sonho. quando sonhamos juntos, é o começo de uma nova realidade".
(Dom Elder Câmara)
terça-feira, 30 de agosto de 2011
Professores admitem defasagem em relação às novas tecnologias, diz estudo
domingo, 28 de agosto de 2011
Projeto patrocinado pela Petrobras ensina jovens a solucionar conflitos na escola
sábado, 13 de agosto de 2011
Vão faltar alunos para bolsas de estudo do governo
"Outro ponto que me preocupa é o caráter unilateral do programa do governo, ou seja, o principal objetivo dele é enviar estudantes para fora, e não adotar mecanismos que tornem nossas universidades uma real possibilidade de estudo para os estrangeiros"
Há cerca de um mês, a presidente Dilma Rousseff anunciou que o governo federal investirá, nos próximos anos, na concessão de 75.000 bolsas de estudo para que brasileiros realizem graduação ou pós-graduação no exterior. É uma ótima iniciativa. Contudo, podem faltar bolsistas gabaritados para esse fim. Ao menos é o que aponta Marcelo Knobel, pró-reitor de graduação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
Também falhamos, na visão dele, na tarefa de atrair estrangeiros. Em recente artigo publicado em parceria com a Universidade da Califórnia (UCLA), Knobel discute o baixo nível de internacionalização das universidades brasileiras, o que se traduz na dificuldade dessas instituições de participar de forma intensa do circuito internacional de cultura e conhecimento. Entre as razões do problema, estaria a limitada mobilidade internacional de alunos e docentes nas universidades brasileiras. Basta comparar: na Universidade Harvard, por exemplo, apontada a número um do mundo em diversos rankings internacionais, 20% de estudantes da graduação são estrangeiros.
Divulgação/Unicamp
Knobel: internacionalizar é preciso
Como o senhor avalia o projeto de financiar 75.000 bolsas de estudo no exterior, para graduação e pós-graduação de estudantes? É uma iniciativa positiva, que auxilia no projeto de internacionalização das universidades brasileiras. Mesmo assim, acredito que seja um projeto ambicioso demais, considerando-se a realidade brasileira. No tocante ao número de bolsas, acredito que ele poderia ser mais modesto. Será um desafio para o Brasil conseguir preencher essa quantidade de vagas, que exige estudantes de alto nível acadêmico e que dominem a língua inglesa.
A que o senhor se refere exatamente quando fala em internacionalização das universidades? A internacionalização é o processo de cooperação internacional das universidades. Isso significa enviar estudantes de graduação, professores e pesquisadores a instituições de ensino superior estrangeiras e promover a entrada de estrangeiros nas universidades brasileiras. A experiência é enriquecedora tanto para os alunos e docentes envolvidos, que incrementam suas experiências e conhecimentos, como para a universidade, que recebe profissionais mais experientes e que proporcionam um diálogo muito mais rico para o ambiente acadêmico.
USP e a Unicamp ainda não figuram entre as cem melhores universidades do mundo, segundo rankings internacionais. Qual é o peso do baixo nível de internacionalização de nossas instituições no desempenho do Brasil naqueles rankings?
As universidades brasileiras estão comprometidas com a internacionalização? Certamente, as universidades públicas despertaram para essa preocupação. O projeto do governo federal de criar mais bolsas de estudo aponta nessa direção. Mas o Brasil ainda enfrenta enormes barreiras para consolidar a atuação internacional de nossas universidades.
Que barreiras são essas? Algumas são de ordem burocrática. Obter um visto, alugar um apartamento, abrir uma conta no banco – tudo isso soa trivial, mas é muito complexo e burocrático para um estrangeiro que venha estudar ou ensinar no Brasil. Outras questões são mais profundas, como, por exemplo, a língua. No Brasil, o inglês ainda é uma barreira para nós: as aulas são ministradas em português e existem poucas iniciativas em língua estrangeira.
Como superar essas barreiras? Em grande parte, isso depende de políticas públicas, ou seja, de iniciativas federais que ajudem de maneira deliberada a entrada e permanência de estudantes e professores estrangeiros no Brasil. Mas as universidades também devem buscar saídas: é possível estabelecer parcerias com instituições ou empresas privadas que estejam engajadas na questão da internacionalização. Um exemplo: cada vez que um estrangeiro vem à Unicamp, tem dificuldade de alugar um apartamento, devido a questões contratuais de qualquer operação desse tipo. Para sanar essa dificuldade, estabelecemos parceiras com as imobiliárias para que o processo seja menos burocrático.
O que Unicamp tem feito em favor da internacionalização? Temos participado de diversas redes de cooperação internacional para enviar e receber um número cada vez maior de alunos. Também temos promovido a vinda de pesquisadores através da concessão de bolsas de estudo. Paralelamente, estamos criando mecanismos para que esses pesquisadores estrangeiros tenham condições de continuar na Unicamp, se assim desejar. Para isso, estamos viabilizando concursos públicos em inglês: dessa forma, a língua deixa de ser uma barreira. Também estudamos maneiras de oferecer disciplinas em inglês na nossa grade curricular.
A parceria entre universidade e empresas privadas, principalmente na área da pesquisa, é uma características das grandes universidades do mundo. No Brasil, ela costuma ser vista com maus olhos. Qual a opinião do senhor sobre o assunto? Na Unicamp, isso é um ponto pacífico. Muitas pesquisas são feitas em parceria com as indústrias e empresas privadas e existe uma transferência de tecnologia. O desafio agora é de outra ordem. É transformar o conhecimento científico em inovação.
